Uma entrega inesperada, acompanhada do pedido de uma fotografia para confirmar o recebimento. Essa era a abordagem investigada pela Polícia Federal em um esquema que teria usado dados pessoais e imagens de vítimas para contratar financiamentos de veículos sem autorização.
Em 8 de outubro, a PF realizou a Operação Brinde Facial, em Uberlândia (MG). Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, e os investigadores identificaram quatro financiamentos fraudulentos até aquela data.
O caso chama atenção para um risco pouco visível: descobrir uma dívida em seu nome sem nunca ter pedido dinheiro emprestado.
O problema investigado envolve o uso indevido de fotografias, biometria facial e dados cadastrais em conjunto. Uma fotografia comum, por si só, não significa que alguém consiga contratar um financiamento.
Ler resumo +
- A PF investiga um esquema de falsas entregas em Uberlândia.
- Foram identificados quatro financiamentos fraudulentos.
- As abordagens teriam servido para obter imagens e dados das vítimas.
- O Registrato do Banco Central permite consultar operações de crédito registradas em seu nome.
- Em caso de dívida desconhecida, a orientação é procurar o banco responsável e registrar a ocorrência.
Como funcionava a abordagem investigada
Segundo a Polícia Federal, pessoas ligadas ao esquema se apresentavam como entregadores de brindes ou encomendas. Durante o contato, obtinham fotografias, registros faciais e informações cadastrais que seriam utilizados posteriormente para viabilizar financiamentos de veículos.
A investigação também apura movimentações e transferências dos recursos obtidos. Os envolvidos poderão responder, em tese, por obtenção fraudulenta de financiamento e associação criminosa. As responsabilidades individuais ainda dependem do andamento das investigações.
O Banco Central já possui orientações específicas para vítimas do chamado golpe do presente, no qual brindes ou entregas são usados como pretexto para pedir fotografias e informações pessoais.
Como conferir se existe um financiamento desconhecido
É possível consultar informações financeiras registradas em seu CPF pelo Registrato, serviço gratuito do Banco Central.
Dentro dele, o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR) mostra dívidas e compromissos informados por bancos e instituições financeiras participantes. O acesso exige conta Gov.br prata ou ouro e verificação em duas etapas.
Portanto, uma consulta sem registros suspeitos não elimina completamente a possibilidade de fraude recente. O próprio Banco Central explica que as informações do SCR são enviadas pelas instituições periodicamente.
O que fazer ao encontrar uma dívida que não reconhece
O primeiro contato deve ser com a instituição responsável pelo registro. Segundo as orientações do Banco Central para dívidas desconhecidas, é possível pedir a apuração e a exclusão de informações indevidas pelos canais oficiais do banco.
Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e guardar comprovantes, protocolos e mensagens relacionadas ao caso. Se o banco não resolver a situação, o consumidor pode procurar a Ouvidoria, registrar reclamação no Banco Central e buscar órgãos de defesa do consumidor.
Atenção às entregas inesperadas
Nem todo pedido de confirmação de entrega é suspeito, assim como sistemas legítimos utilizam reconhecimento facial para verificar identidades. O sinal de alerta aparece quando uma pessoa desconhecida solicita imagens, documentos ou dados sem uma justificativa verificável.
Se você não pediu a encomenda, não reconhece o remetente ou recebe uma solicitação incomum de fotografia, vale confirmar a entrega diretamente com a empresa antes de fornecer informações pessoais.
Além disso, consultar periodicamente os registros financeiros pode ajudar a identificar operações desconhecidas antes que o problema se prolongue.

Victor Radicchi é Administrador formado pela UFMG. Acumula experiência de atuação no setor público e privado em desenvolvimento de projetos, atração de investimentos, comunicação corporativa e inovação.



