Riachuelo ensina funcionários de outras áreas a criar soluções com IA; veja como funciona

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NOTÍCIA · CARREIRA

A Riachuelo está capacitando funcionários de diferentes áreas para desenvolver ferramentas de inteligência artificial (IA) que ajudem a resolver problemas do próprio trabalho. A experiência, detalhada em reportagem da EXAME publicada em 14 de outubro, envolve profissionais de recursos humanos (RH), finanças, logística, lojas e outras equipes, mesmo sem formação em programação.

Em uma das etapas do programa, realizada com apoio da empresa de educação Tera, 30 funcionários de mais de dez diretorias desenvolveram 22 soluções em aproximadamente três meses. Os projetos incluem tarefas administrativas, organização de informações e melhorias em processos que antes dependiam de trabalho manual.

A iniciativa mostra uma possibilidade para profissionais que não trabalham diretamente com tecnologia: o conhecimento acumulado em uma função pode ajudar a identificar onde a inteligência artificial realmente será útil. Para isso, porém, a empresa combinou treinamento, ferramentas aprovadas e acompanhamento técnico.

Ler resumo +
  • A Riachuelo capacita profissionais de diferentes áreas para desenvolver soluções com IA.
  • Uma formação com a Tera envolveu 30 funcionários e resultou em 22 soluções.
  • Há aplicações em avaliações de desempenho, organização de escalas e análise de crédito.
  • A empresa divulga ganhos potenciais de tempo e dinheiro, mas nem todos foram efetivamente realizados.
  • O programa é interno e não representa curso ou vaga aberta ao público.

Como os funcionários aprenderam a criar ferramentas com IA?

O programa interno, chamado Builders, parte de dificuldades encontradas pelos próprios empregados. Em vez de aprender tecnologia apenas por meio de aulas teóricas, os participantes escolhem problemas reais de suas áreas e trabalham para construir soluções que possam ser testadas.

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Segundo a Tera, responsável por parte da capacitação, a formação combinou 14 horas de encontros ao vivo com mais de oito horas de atividades individuais. Os participantes receberam orientação durante a construção dos projetos.

Foram utilizadas ferramentas que permitem criar páginas, organizar informações e automatizar tarefas sem escrever grandes quantidades de código de programação. Esse tipo de tecnologia costuma ser chamado de no-code ou low-code, ou seja, ferramentas que exigem nenhum ou pouco conhecimento de programação tradicional.

Isso não significa desenvolver qualquer sistema sozinho. As ferramentas foram previamente aprovadas pela área de tecnologia da Riachuelo. Quando os projetos precisavam acessar informações confidenciais ou se conectar a sistemas importantes, especialistas da companhia participavam do trabalho.

A experiência também não começou agora. O programa já estava em execução, e as reportagens divulgadas nesta semana detalham resultados e iniciativas que vinham sendo desenvolvidos nos meses anteriores.

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Uma ferramenta criada pelo RH começou com um problema do dia a dia

Um dos exemplos apresentados pela EXAME, em entrevista com o diretor de tecnologia da Riachuelo, envolve dois profissionais de RH que desenvolveram, em 12 dias, uma ferramenta para facilitar etapas da avaliação de desempenho dos funcionários.

Antes, o processo exigia organizar formulários, reunir respostas, enviar lembretes e preparar informações para os gestores. São tarefas importantes, mas que consomem tempo quando precisam ser repetidas para muitas pessoas.

A solução foi inicialmente testada com 52 colaboradores, segundo a empresa. Posteriormente, uma plataforma de carreira e desempenho passou a ficar disponível para aproximadamente 33 mil funcionários.

A inteligência artificial pode ajudar na organização das informações e sugerir melhorias nos textos das avaliações. A decisão sobre o desempenho ou a carreira de cada funcionário continua sendo responsabilidade humana, conforme a explicação da companhia.

A importância desse exemplo está no ponto de partida. Os profissionais de RH conheciam as etapas que consumiam tempo e sabiam quais informações precisavam chegar aos gestores. O treinamento tecnológico permitiu transformar parte desse conhecimento em uma ferramenta.

As mudanças também chegaram às lojas e à área financeira

Outro projeto relatado pela Riachuelo é o WFM Hub, sistema utilizado para organizar as escalas dos funcionários das lojas. Segundo a empresa, a ferramenta foi implantada em todas as unidades em agosto.

O sistema reúne informações sobre os horários de trabalho e os períodos de maior movimento. Assim, os gestores conseguem planejar melhor a distribuição das equipes, em vez de depender apenas de planilhas com informações limitadas.

Na área de crédito, uma ferramenta analisa informações cadastrais e procura possíveis inconsistências que mereçam atenção. A Riachuelo afirma que o sistema examina cerca de três mil propostas por dia. A decisão de aprovar ou recusar uma operação, entretanto, continua com o profissional responsável.

Esses exemplos mostram usos diferentes para a mesma tecnologia. No RH, o objetivo é reduzir tarefas administrativas. Nas lojas, melhorar a organização das equipes. Na área financeira, ajudar a identificar riscos.

Nem todas as iniciativas estão no mesmo estágio: algumas já foram implantadas, enquanto outras continuam em testes ou desenvolvimento. Uma ferramenta que funciona bem em um pequeno teste ainda precisa demonstrar segurança e utilidade quando utilizada por toda a empresa.

A Riachuelo já economizou milhões com essas iniciativas?

Os números divulgados exigem uma distinção entre resultados observados e economias previstas. A Riachuelo estima, por exemplo, que a automação de tarefas relacionadas às avaliações de desempenho possa liberar 3.600 horas de trabalho.

Essa quantidade representa uma estimativa de tempo que deixaria de ser gasto em atividades administrativas. Não significa que todas essas horas já foram efetivamente economizadas nem que os funcionários terão redução automática da jornada.

A Tera também apresentou uma projeção de economia recorrente entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões por ano para o conjunto de soluções desenvolvido em sua formação. Já a Riachuelo informou à EXAME uma estimativa de R$ 20 milhões a R$ 25 milhões ligada à reorganização das escalas das lojas.

Os valores possuem bases e abrangências diferentes e não devem ser somados como se representassem uma economia já confirmada. A empresa ainda precisa acompanhar quanto cada iniciativa realmente entrega depois da implantação.

A própria Tera tem interesse comercial na divulgação da experiência, por ter participado da formação. Seus resultados ajudam a entender o projeto, mas não equivalem a uma auditoria independente dos ganhos financeiros anunciados.

O que essa experiência significa para quem quer crescer profissionalmente?

O caso da Riachuelo mostra que aprender a utilizar inteligência artificial no trabalho pode envolver mais do que produzir textos ou fazer perguntas a um aplicativo.

Um funcionário administrativo, por exemplo, pode conhecer as dificuldades na conferência de documentos. Quem trabalha com estoque sabe onde ocorrem atrasos na localização de produtos. Já um profissional financeiro pode identificar tarefas repetidas na organização de pagamentos e relatórios.

Essas experiências ajudam a identificar problemas que merecem atenção. Mas uma melhoria só é útil quando resolve a dificuldade de verdade, funciona com segurança e é aceita pelas pessoas que vão utilizá-la.

Para profissionais que desejam se desenvolver, competências como entender processos, organizar informações, testar soluções e trabalhar com equipes técnicas podem ganhar relevância. Isso não transforma automaticamente qualquer empregado em programador nem garante reconhecimento financeiro.

Também é importante respeitar as regras da empresa. Dados de clientes, informações de funcionários e documentos internos não devem ser enviados para ferramentas externas sem autorização. Uma solução aparentemente simples pode criar problemas de privacidade e segurança.

Quem pensa em investir em formação pode começar observando as tarefas realmente exigidas na sua profissão. O Firma Feed já explicou como relacionar a escolha de uma qualificação às competências procuradas pelo mercado de trabalho.

A experiência da Riachuelo não é um curso aberto nem uma promessa de vagas. Seu principal aprendizado é que a tecnologia pode se tornar mais útil quando profissionais de diferentes áreas participam da identificação dos problemas e da construção das soluções, com formação adequada e apoio especializado.

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