Quanto custa ser MEI: todas as taxas e obrigações mensais

Ser MEI custa um valor fixo por mês, independente de quanto o negócio faturou — e esse valor mudou em 2026. Veja quanto é, para onde vai esse dinheiro e o que acontece se o boleto atrasar.

Quem se formaliza como Microempreendedor Individual passa a ter uma conta mensal fixa para pagar: o DAS-MEI, o Documento de Arrecadação do Simples Nacional. Em 2026, esse valor subiu — e a razão é simples: parte da conta é calculada com base no salário mínimo, que passou de R$ 1.518 para R$ 1.621 neste ano.

Segundo dados atualizados da Receita Federal, o valor do DAS-MEI em 2026 varia entre R$ 82,05 e R$ 87,05 por mês, dependendo da atividade exercida. Não importa se o MEI faturou R$ 500 ou R$ 6.750 naquele mês: o valor do boleto é sempre o mesmo.

De onde vem o valor do DAS-MEI

O boleto único reúne até três tributos diferentes, e a combinação depende da atividade cadastrada no CNPJ:

  • INSS — R$ 81,05: equivale a 5% do salário mínimo vigente (R$ 1.621 em 2026). Todo MEI paga essa parcela, e é ela que garante acesso a benefícios previdenciários.
  • ICMS — R$ 1,00: valor fixo, cobrado de quem atua com comércio ou indústria. Esse valor está congelado desde 2006 e não sofre reajuste.
  • ISS — R$ 5,00: valor fixo, cobrado de quem presta serviços. Também congelado desde 2006.

Na prática, isso resulta em três cenários possíveis em 2026:

  • Comércio ou indústria: R$ 82,05 por mês (INSS + ICMS)
  • Prestação de serviços: R$ 86,05 por mês (INSS + ISS)
  • Atividade mista (comércio e serviço juntos): R$ 87,05 por mês (INSS + ICMS + ISS)

Existe ainda uma categoria à parte: o MEI Caminhoneiro, cuja contribuição ao INSS é de 12% do salário mínimo — R$ 194,52 em 2026 — em vez dos 5% pagos pelo MEI comum, por causa de uma regra previdenciária específica para essa atividade.

Por que o valor sobe todo ano

O reajuste do DAS-MEI não depende de decisão do MEI nem é definido caso a caso: ele simplesmente acompanha o novo salário mínimo, normalmente anunciado em dezembro e valendo a partir de janeiro. Como a parcela do INSS é sempre 5% desse valor, quando o salário mínimo sobe, a conta sobe junto, automaticamente. Já as parcelas de ICMS e ISS não mudam — seguem fixas desde 2006, independentemente da inflação ou de qualquer outro índice.

Dá para ver esse movimento comparando um ano com o outro: em 2025, com o salário mínimo em R$ 1.518, a parcela do INSS era de R$ 75,90. Em 2026, com o mínimo em R$ 1.621, essa mesma parcela passou para R$ 81,05 — uma alta de pouco mais de R$ 5 por mês. É um reajuste real, mas pequeno em termos absolutos, e costuma acompanhar de perto o aumento de renda que o próprio reajuste do salário mínimo tenta gerar na economia.

Como saber em qual categoria você se encaixa

Na hora de descobrir se vai pagar R$ 82,05, R$ 86,05 ou R$ 87,05, o critério é sempre a natureza da atividade cadastrada no CNPJ, não o quanto foi faturado. Alguns exemplos ajudam a visualizar:

  • Só comércio ou indústria: quem revende roupas, vende produtos artesanais, tem uma pequena fábrica de doces ou atua com comércio de peças — paga R$ 82,05.
  • Só prestação de serviço: cabeleireiro, personal trainer, eletricista, motorista de aplicativo, designer, professor particular — paga R$ 86,05.
  • As duas coisas juntas: um salão que corta cabelo e também vende produtos de beleza, ou uma doceria que fabrica e também presta serviço de decoração de festas — paga R$ 87,05, porque recolhe os três tributos.

Esse enquadramento é definido no momento da formalização e pode ser alterado depois, caso a atividade do negócio mude — mas vale conferir com atenção antes, porque é ele que define o valor da guia todo mês, para sempre, até uma eventual atualização cadastral.

Quando pagar e como emitir o boleto

O vencimento do DAS-MEI é sempre no dia 20 do mês seguinte ao mês de referência. A guia pode ser emitida diretamente pelo Portal do Empreendedor, pelo aplicativo oficial “Meu MEI” ou por aplicativos de bancos parceiros. Depois de gerado, o boleto pode ser pago por Pix, código de barras, internet banking ou em qualquer lotérica.

Uma boa prática para quem está começando é configurar o débito automático assim que possível — isso evita esquecer o vencimento em meses de correria, que é a causa mais comum de atraso entre microempreendedores.

A declaração anual que ninguém pode esquecer

Além do boleto mensal, todo MEI tem uma segunda obrigação, uma vez por ano: a Declaração Anual do Simples Nacional do Microempreendedor Individual, a DASN-SIMEI. O prazo, segundo a Receita Federal, é sempre até 31 de maio de cada ano, informando o quanto o negócio faturou no ano anterior — mesmo que o faturamento tenha sido zero. Deixar de entregar essa declaração pode gerar multa e complicar a situação fiscal do CNPJ, mesmo que os boletos mensais estejam todos em dia.

Vantagens tributárias que já estão embutidas no DAS

O valor fixo do DAS-MEI substitui uma lista inteira de impostos que uma empresa comum precisaria calcular e pagar separadamente. O MEI é dispensado de recolher, de forma isolada: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), CSLL, contribuição para o PIS/Pasep, COFINS e IPI (exceto em casos de importação). É esse pacote simplificado que torna o MEI, na prática, o regime tributário mais barato e mais simples do país para quem fatura dentro do limite.

Há uma exceção importante: quem contrata um funcionário passa a ter uma responsabilidade extra, fora do DAS — um encargo previdenciário de 3% sobre o salário do empregado, recolhido separadamente. Isso não muda o valor do DAS-MEI em si, mas é um custo que precisa entrar na conta de quem está pensando em contratar.

O que acontece se o DAS atrasar

Atrasar o pagamento do DAS-MEI gera juros e multa sobre o valor da guia, calculados a partir do dia seguinte ao vencimento. Mas o efeito mais sério, para quem depende do MEI para os benefícios do INSS, é outro: atrasos repetidos podem interromper a chamada “qualidade de segurado”, o que significa perder, temporariamente, o direito a benefícios como auxílio-doença ou salário-maternidade até que a situação seja regularizada. Acúmulo de dívidas também pode levar à exclusão do Simples Nacional, o que tira do MEI as vantagens tributárias descritas acima.

A boa notícia é que dívidas de DAS-MEI em atraso não precisam virar bola de neve: o próprio Portal do Empreendedor oferece a opção de emitir guias avulsas de meses anteriores e, quando o valor acumulado já está mais alto, também é possível parcelar débitos diretamente no sistema, sem precisar de advogado ou contador para isso. Quem está com boletos atrasados ganha mais controle simplesmente regularizando o quanto antes, mês a mês, em vez de deixar a dívida se acumular até virar um valor difícil de quitar de uma vez.

Vale comparar com o custo de continuar informal

É natural olhar para os R$ 82 a R$ 87 mensais e pensar em economizar deixando de pagar. Mas vale fazer a conta ao contrário: quem trabalha na informalidade não tem acesso a auxílio-doença nem a salário-maternidade caso precise parar de trabalhar por um tempo, não conta tempo de contribuição para se aposentar, não pode emitir nota fiscal para fechar contratos maiores com empresas e costuma pagar juros mais altos quando precisa de crédito, justamente por não ter CNPJ para comprovar renda. Colocado lado a lado, o valor fixo do DAS-MEI funciona menos como uma taxa e mais como um seguro barato contra imprevistos que, sem ele, sairiam muito mais caros.

O que você precisa saber

  • Valor do DAS em 2026: R$ 82,05 (comércio/indústria), R$ 86,05 (serviços) ou R$ 87,05 (atividade mista)
  • Parcela do INSS: R$ 81,05 — 5% do salário mínimo de R$ 1.621
  • ICMS e ISS: fixos, R$ 1,00 e R$ 5,00, congelados desde 2006
  • Vencimento: todo dia 20 do mês seguinte
  • Declaração anual (DASN-SIMEI): até 31 de maio, mesmo com faturamento zero
  • Reajuste: automático, ligado ao salário mínimo, geralmente em janeiro
  • MEI Caminhoneiro: paga 12% do salário mínimo de INSS (R$ 194,52 em 2026)
  • Se contratar funcionário: soma-se um encargo de 3% sobre o salário dele, fora do DAS
  • Atraso no pagamento: gera juros e multa, e pode afetar o acesso a benefícios do INSS

Olhando de fora, R$ 82 a R$ 87 por mês pode parecer pouco — mas é exatamente esse valor fixo, previsível e baixo, que torna o MEI um ponto de entrada real para quem quer sair da informalidade sem se afogar em burocracia ou em conta de contador. A conta cabe no orçamento de quem está começando, e o retorno vem em forma de direito: aposentadoria contando, nota fiscal podendo ser emitida, negócio existindo oficialmente.

Se você já é MEI, o próximo passo prático é simples: confira se o débito automático do seu DAS está ativo e marque no calendário o dia 31 de maio, para não deixar a declaração anual para a última hora.

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