Abrir um CNPJ pode facilitar o acesso a clientes que antes não compravam de um trabalhador informal. Essa vantagem aparece em uma nova pesquisa do Sebrae: 75% dos microempreendedores individuais (MEIs) entrevistados disseram que a formalização ajudou a aumentar suas vendas.
O resultado, divulgado em 9 de outubro, é o maior da série acompanhada pela instituição. O levantamento Perfil do MEI e da MPE ouviu 14 mil pequenos negócios em todo o país, incluindo empresas de diferentes portes.
Um detalhe faz diferença nessa leitura: os 75% representam a percepção dos empreendedores. O dado não significa que as vendas cresceram 75%, nem comprova que abrir um CNPJ aumentará o faturamento de qualquer negócio.
O principal benefício comercial da formalização é permitir que o empreendedor entre em negociações que exigem nota fiscal, cadastro empresarial e fornecimento regular.
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- 75% dos MEIs ouvidos perceberam melhora nas vendas após a formalização.
- A pesquisa ouviu 14 mil pequenos negócios, incluindo outros portes empresariais.
- Emitir nota fiscal foi a principal motivação para a formalização entre os MEIs, citada por 32%.
- O CNPJ facilita o atendimento a outras empresas.
- Formalizar envolve também obrigações e custos de manutenção.
O que os números mostram
Em 2019, 71% dos MEIs pesquisados consideravam que a formalização havia ajudado nas vendas. O percentual passou por 69% em 2022 e 74% em 2024, chegando agora a 75%.
Entre as razões que levaram os entrevistados a se formalizar, a possibilidade de emitir nota fiscal ficou em primeiro lugar, seguida pelo acesso a benefícios previdenciários e pela intenção de evitar problemas com a fiscalização.
Os percentuais ajudam a entender por que o registro pode ser importante, mas não indicam quanto cada empreendedor passou a faturar. O comunicado também não detalha toda a metodologia necessária para medir isoladamente o efeito do CNPJ sobre as vendas.
A nota fiscal abre portas para vender a outras empresas
Uma floricultura que fornece arranjos para escritórios, um profissional de manutenção que atende lojas ou uma confeitaria que vende para eventos corporativos podem encontrar clientes que exigem documentação fiscal para contratar.
Segundo as regras oficiais de emissão de notas pelo MEI, o documento fiscal é exigido nas operações com outras empresas, observadas as condições específicas de emissão.
Além disso, o registro empresarial pode facilitar o cadastro como fornecedor e a participação em oportunidades comerciais que não estão disponíveis da mesma forma para quem atua informalmente.
Em Minas Gerais, outro levantamento do Sebrae Minas apontou que 41% dos MEIs entrevistados citaram a possibilidade de emitir nota e ampliar vendas como principal vantagem da formalização.
O CNPJ ajuda, mas a venda ainda precisa acontecer
A formalização amplia possibilidades, porém não substitui preço competitivo, divulgação, qualidade e relacionamento com os clientes. Uma empresa pode ter toda a documentação e continuar vendendo pouco se não encontrar compradores para sua oferta.
Também existem obrigações. O cadastro como MEI é gratuito, mas a manutenção envolve pagamento mensal do DAS, controle de receitas e declaração anual, além das exigências aplicáveis à atividade.
A vantagem mais concreta está em usar o CNPJ para conquistar clientes e contratos que realmente tragam receita, sem perder de vista os custos para manter o negócio regular.
Para quem está avaliando a formalização, o Portal do Empreendedor reúne as condições para se tornar MEI, as atividades permitidas e os serviços de abertura e manutenção.

Victor Radicchi é Administrador formado pela UFMG. Acumula experiência de atuação no setor público e privado em desenvolvimento de projetos, atração de investimentos, comunicação corporativa e inovação.



