Conseguir a aprovação de um empréstimo pode parecer a parte mais difícil. Em setembro de 2026, uma pesquisa do Sebrae mostrou que 46% dos pequenos negócios que buscaram crédito nos três meses anteriores conseguiram aprovação, o maior percentual da série iniciada em 2022.
Para quem recebe um “sim” do banco, porém, começa outra decisão: saber se o negócio realmente consegue carregar aquela parcela pelos próximos meses ou anos.
Crédito aprovado não é dinheiro sobrando. Assim que entra na conta, ele também cria uma despesa futura que precisa caber na operação.
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- Defina exatamente para que o dinheiro será usado.
- Veja se a parcela cabe no caixa também em meses mais fracos.
- Compare o Custo Efetivo Total, e não apenas os juros.
- Considere parcelas e dívidas que a empresa já possui.
- Se o crédito financiar um investimento, estime como ele retornará dinheiro ao negócio.
- Evite usar empréstimo apenas para adiar um problema financeiro recorrente.
A primeira pergunta é: para onde vai o dinheiro?
Um empréstimo pode financiar situações bastante diferentes. Pode reforçar estoque antes de um período de vendas, comprar uma máquina que aumenta a produção, reformar o estabelecimento ou cobrir uma falta temporária de capital de giro.
A finalidade também ajuda a definir o tipo de crédito. Capital de giro, por exemplo, costuma atender necessidades do funcionamento cotidiano, enquanto financiamentos normalmente estão ligados a um investimento específico.
O problema aparece quando o dinheiro entra sem uma finalidade clara. Nesse caso, a empresa assume a dívida, utiliza o recurso no dia a dia e alguns meses depois pode continuar com o mesmo problema — agora acrescido da parcela.
A parcela precisa caber no caixa, não apenas no faturamento
Faturar R$ 30 mil por mês não significa ter R$ 30 mil disponíveis para pagar compromissos. Antes da parcela vêm fornecedores, aluguel, folha, impostos, despesas operacionais, retiradas e outras dívidas.
Por isso, a referência mais útil é o fluxo de caixa projetado: quanto dinheiro deve entrar, quanto já está comprometido e o que sobra depois das obrigações.
Além disso, vale observar mais de um cenário. Se a parcela só cabe quando as vendas estão no melhor nível do ano, qualquer atraso de cliente, queda de movimento ou gasto inesperado pode apertar a operação.
Uma parcela saudável não é apenas aquela que cabe no mês bom. Ela precisa continuar administrável quando o negócio atravessa um mês mais fraco.
Não compare empréstimos olhando apenas a taxa de juros
Uma proposta pode anunciar juros menores e ainda assim terminar mais cara depois de tarifas, impostos, seguros e outros encargos.
É para isso que existe o Custo Efetivo Total, o CET. Em linguagem simples, ele reúne os principais custos da operação e permite comparar propostas de forma mais próxima do que realmente será pago.
Além do CET, confira o valor que efetivamente será liberado, quantidade de parcelas, valor total pago ao final, garantias exigidas e consequências em caso de atraso.
Crédito para crescer é diferente de crédito para tapar um buraco
Tomar dinheiro para comprar um equipamento que aumenta a capacidade de atendimento tem uma lógica diferente de pedir empréstimo todos os meses para pagar despesas que a própria operação não consegue sustentar.
Isso não significa que usar crédito para capital de giro seja necessariamente ruim. Uma empresa pode ter vendas, margem e clientes, mas enfrentar um intervalo entre pagar fornecedores e receber seus próprios clientes.
Contudo, se falta dinheiro continuamente porque os preços estão baixos, as despesas estão acima da receita ou as vendas não cobrem a estrutura, o empréstimo pode apenas empurrar o desequilíbrio para frente. O próprio Sebrae recomenda avaliar a situação financeira e definir claramente o objetivo do crédito antes da contratação.
Antes de assinar, passe por estes pontos
A aprovação do banco é uma informação importante: significa que a instituição aceitou conceder o crédito dentro de seus critérios. Porém, quem conhece as oscilações das vendas, os compromissos do mês e o motivo real do empréstimo é o próprio negócio.
O empréstimo faz mais sentido quando resolve uma necessidade identificável e a empresa consegue mostrar de onde sairá o dinheiro das parcelas — sem depender de um crescimento que ainda não aconteceu.

Victor Radicchi é Administrador formado pela UFMG. Acumula experiência de atuação no setor público e privado em desenvolvimento de projetos, atração de investimentos, comunicação corporativa e inovação.



