A gestão financeira apareceu como o fator mais citado entre os motivos associados ao fechamento de empresas em uma pesquisa divulgada pela Serasa Experian nesta terça-feira (20). Entre os entrevistados, 47% mencionaram o problema, à frente de carga tributária, burocracia e falta de capital ou crédito.
Para quem divide o dia entre vender, atender e administrar, o resultado chama atenção para uma pergunta prática: o dinheiro disponível sustenta os próximos compromissos? Mas há um limite importante: a pesquisa registra opiniões, não as causas comprovadas de empresas que fecharam.
O levantamento ouviu 511 empresas da base de clientes da Serasa Experian, com respostas recebidas em abril de 2026. Portanto, a divulgação é de outubro, mas as percepções foram coletadas meses antes.
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O resultado: gestão financeira foi mencionada por 47% dos entrevistados entre os principais motivos associados ao fechamento de empresas.
Outras pressões: carga tributária, burocracia e falta de capital ou crédito também foram citadas.
O limite: a pesquisa ouviu clientes da Serasa Experian e não comprova por que empresas encerraram atividades.
O que isso muda na sua vida: acompanhar vendas, despesas e datas de pagamento ajuda a identificar dificuldades que o saldo bancário de hoje pode esconder.
Impostos, burocracia e crédito também pesam nas respostas
Depois da gestão financeira, a pesquisa divulgada pela Serasa Experian registra menções à carga tributária, com 40%, à burocracia, com 34%, e à falta de capital ou crédito, com 29%.
Esses percentuais não dividem os fechamentos em grupos exclusivos. O comunicado apresenta fatores citados pelos respondentes, mas não detalha o questionário completo nem quantas alternativas cada participante podia selecionar.
O resultado tampouco permite colocar toda a responsabilidade sobre o empreendedor. Organizar contas não elimina impostos, dificuldades de financiamento ou mudanças no mercado. As próprias respostas mostram que a preocupação vai além da administração interna.
Também seria incorreto concluir que 47% das empresas fecham por má gestão. Para demonstrar isso, seria necessário investigar os encerramentos e seus motivos. Aqui, o que foi medido é a percepção dos participantes sobre os riscos.
MEIs e microempresas relatam menos planos para crises de caixa
Quando a pergunta se volta ao próprio negócio, 58% dos entrevistados consideram a gestão financeira um dos principais riscos à continuidade da atividade. A proporção varia de 48% entre microempreendedores individuais, os MEIs, e microempresas a 76% nas médias empresas.
Ao mesmo tempo, 70% do conjunto dizem ter planos de contingência para crises de caixa. Entre MEIs e microempresas, são 54%; nas pequenas empresas, 68%; nas médias, 85%.
Plano de contingência é uma preparação para enfrentar um problema: o que fazer se um cliente atrasar, uma despesa inesperada surgir ou as vendas caírem. Não significa necessariamente ter dinheiro reservado.
Os números indicam diferenças nas respostas conforme o porte. Não demonstram, porém, a qualidade desses planos ou se funcionariam em uma crise. Dizer que existe uma estratégia é diferente de testar se ela sustenta a operação.
A amostra pede cuidado antes de generalizar
A Serasa Experian informa nível de confiança de 95% e margem de erro de quatro pontos percentuais. Essas são medidas estatísticas declaradas pela responsável pelo estudo; não eliminam os limites de uma amostra formada por clientes da empresa.
O comunicado não detalha o recrutamento, a distribuição dos participantes por porte ou eventuais ajustes para representar o conjunto dos negócios brasileiros. Não é possível estender automaticamente a mesma margem de erro aos recortes de MEIs, pequenas ou médias empresas.
A divulgação também apresenta uma ferramenta comercial da própria Serasa. Essa oferta é separada dos resultados: a pesquisa não comprova que contratar determinado sistema evitará dificuldades financeiras.
Vender, lucrar e ter dinheiro disponível são coisas diferentes
O alerta pode ser traduzido em três medidas. Faturamento mostra as vendas. Lucro considera o resultado depois dos custos e das despesas do período. Caixa trata das entradas, saídas e do dinheiro disponível.
Em um exemplo hipotético, uma loja vende R$ 5 mil a prazo, mas precisa pagar R$ 2 mil ao fornecedor antes de receber dos clientes. A venda existe; o dinheiro para aquele vencimento pode ainda não estar na conta.
O contrário também merece atenção: um empréstimo aumenta o saldo bancário, mas cria uma obrigação futura. Dinheiro na conta não é sinônimo de lucro. O Firma explica essa diferença ao avaliar se uma parcela de empréstimo cabe no negócio.
Uma conferência curta ajuda a localizar o aperto
Para começar, anote o saldo disponível, os recebimentos esperados e os pagamentos dos próximos dias. Coloque as datas em ordem e separe o que já está confirmado do que depende de uma venda ou de um cliente pagar.
Se aparecer uma falta de dinheiro, identifique o motivo antes de escolher a resposta: atraso de recebimento, despesa pontual ou dificuldade recorrente para cobrir a operação. São problemas diferentes, que podem exigir negociação, revisão das contas ou apoio profissional.
Quem procura formação também pode conferir a aula gratuita de investimentos da Academia Assaí, prevista para 27 de outubro. O próximo passo não precisa ser contratar uma ferramenta: pode começar por enxergar qual conta vence antes de o dinheiro entrar.

Sebastião Neto é administrador pela UFMG, com MBA Executivo em Mercado de Capitais pelo IBMEC e especialização em M&A pelo Insper. Tem experiência em finanças, estratégia, gestão comercial, desenvolvimento de negócios e fusões e aquisições. No Firma Feed, contribui para traduzir temas de carreira, dinheiro e negócios em informações mais claras e úteis para decisões do dia a dia.



