Vender bastante e terminar o mês sem entender para onde foi o dinheiro pode indicar um problema no preço. Para quem precisa revisar essa conta, a Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), está com inscrições abertas para um minicurso gratuito e online sobre precificação, sem exigência de faculdade.
A formação tem aulas anunciadas para 6 e 13 de novembro, das 19h às 22h. O conteúdo trata de custos, concorrência, descontos e margem: o que cada venda deixa para ajudar a sustentar o negócio. Isso interessa tanto ao pequeno empreendedor quanto a quem participa dessas decisões no emprego.
Há uma diferença entre os prazos oficiais: o sistema Apolo da USP registra inscrições até 6 de novembro, enquanto a página do minicurso informa 12 de novembro. Quem pretende participar deve antecipar a inscrição e conferir a confirmação, em vez de contar com a data mais longa.
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- A oportunidade: formação gratuita da USP/Esalq para quem precisa tomar decisões sobre preços.
- O conteúdo: custos, concorrência, valor para o cliente, descontos e rentabilidade.
- O acesso: online, sem exigência de graduação, com critérios de seleção previstos no cadastro.
- Atenção: há divergência no prazo de inscrição; as 6 mil vagas cadastradas não representam o saldo atual.
O preço do concorrente não conta toda a história
Olhar quanto outra empresa cobra ajuda a entender o mercado. O problema aparece quando esse valor vira a única referência. Dois negócios podem vender algo parecido e ter gastos diferentes com fornecedores, aluguel, entrega, equipamentos e atendimento.
Quem presta serviços também precisa considerar o tempo necessário para executar o trabalho. Um orçamento pode parecer suficiente até incluir deslocamento, preparação, materiais e horas gastas em ajustes. Cobrar por uma tarefa não significa receber apenas pelo tempo diante do cliente.
Para quem vende pela internet, comissões e despesas de envio também precisam entrar na conta. Esse cuidado aparece no guia do Firma sobre os primeiros passos para vender em marketplaces, plataformas que reúnem vendedores e compradores.
Um desconto pequeno pode consumir boa parte da sobra
Em um exemplo hipotético, um produto é vendido por R$ 100. A mercadoria e os gastos diretamente ligados à venda somam R$ 70. Sobram R$ 30 para contribuir com as despesas fixas, como aluguel, e depois formar o resultado do negócio.
Se o vendedor concede R$ 10 de desconto, mantendo os mesmos gastos de R$ 70, essa contribuição cai para R$ 20. O preço diminuiu 10%, mas a sobra por unidade caiu aproximadamente um terço. Por isso, desconto precisa ser calculado sobre o que sobra, além de ser pensado como ferramenta para atrair clientes.
Essa diferença ajuda a entender a chamada margem de contribuição. Ela não é o lucro final: ainda precisa ajudar a pagar despesas que continuam existindo mesmo quando uma venda não acontece. O exemplo serve para explicar a lógica, não para indicar um percentual ideal para qualquer empresa.
O que o curso pretende ensinar
O programa reúne diferentes formas de definir preços: considerando os custos, os valores praticados no mercado e aquilo que o cliente percebe como benefício. Também aborda descontos, combinação de produtos e acompanhamento dos resultados, conforme o conteúdo registrado na USP.
Um dos temas é a sensibilidade ao preço: como uma mudança no valor cobrado pode alterar a procura. Na prática, isso ajuda a formular perguntas melhores antes de uma promoção. Será necessário vender quantas unidades a mais? A operação suporta esse volume? O desconto atrai clientes que voltam ou apenas aumenta o trabalho?
Valor percebido também entra nessa discussão. Um cliente pode comparar prazo, conveniência, durabilidade e atendimento, além do preço. Entender essa comparação não significa que basta cobrar mais: é preciso verificar se a diferença oferecida faz sentido para quem compra.
Como se inscrever e o que observar nas regras
Na página oficial, o botão de inscrição leva ao formulário específico desta formação. Embora esteja no portal MBA USP/Esalq, o cadastro universitário classifica o curso como difusão. Não se trata de um MBA ou de uma pós-graduação.
A dispensa de graduação não equivale a ingresso garantido. O Apolo prevê análise de afinidade com o tema e o público-alvo caso o número de candidatos ultrapasse 80% das vagas. A certificação também depende do cumprimento das condições acadêmicas.
As aulas estão anunciadas para novembro. Já o período geral registrado no Apolo vai até 13 de dezembro, e a página do curso informa acesso ao conteúdo por 30 dias depois da última aula. São referências diferentes; não significa que haverá encontros ao vivo durante todo esse intervalo.
Leve uma dúvida real do negócio para a formação
Antes de começar, escolha um produto ou serviço e reúna preço atual, gastos envolvidos e descontos concedidos. Anote também o que ainda não sabe calcular. Isso cria uma questão concreta para acompanhar as aulas, em vez de apenas acumular conceitos.
Depois, acompanhe o resultado junto com as contas do negócio. Como explica a matéria do Firma sobre gestão financeira nos pequenos negócios, vender, lucrar e ter dinheiro disponível são coisas diferentes. O curso pode ajudar a revisar decisões; o próximo passo é entender onde o preço atual cobre a operação e onde deixa uma conta sem pagar.

Sebastião Neto é administrador pela UFMG, com MBA Executivo em Mercado de Capitais pelo IBMEC e especialização em M&A pelo Insper. Tem experiência em finanças, estratégia, gestão comercial, desenvolvimento de negócios e fusões e aquisições. No Firma Feed, contribui para traduzir temas de carreira, dinheiro e negócios em informações mais claras e úteis para decisões do dia a dia.



