A Dimona, empresa carioca de camisetas personalizadas, projeta faturar R$ 140 milhões em 2026, somando suas operações no Brasil e nos Estados Unidos. Em entrevista à EXAME, a companhia apresentou uma estratégia que combina fabricação própria no mercado brasileiro, desenvolvimento de produtos para clientes e parcerias com empresas e eventos.
Para o pequeno negócio que vende algo parecido com o concorrente, o caso ajuda a enxergar uma possibilidade de diferenciação: adaptar a entrega a uma necessidade específica. Na Dimona, isso passa por tecido, modelagem, estampa e finalidade da peça. O valor projetado é faturamento esperado, não lucro nem resultado já concluído.
Segundo Leonardo Zonenschein, sócio e diretor de marketing, as vendas para outras empresas representam 56% do faturamento. É o chamado mercado B2B, expressão em inglês para negócios entre empresas. Nesse atendimento, a camiseta pode virar uniforme, produto de um festival ou parte da identidade de um restaurante.
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- A estratégia: desenvolver produtos personalizados para diferentes necessidades, além de vender camisetas básicas.
- O número: a Dimona projeta R$ 140 milhões de faturamento em 2026, considerando Brasil e Estados Unidos.
- A referência para negócios menores: investigar demandas de clientes, definir uma entrega específica e calcular seu custo.
- O limite: fábrica, tecnologia e logística exigem estrutura; os resultados da empresa não são promessa de retorno para outros negócios.
A necessidade do cliente ajuda a definir o produto
Na entrevista à EXAME, Zonenschein relata que a empresa desenvolve peças em conjunto com parceiros, buscando materiais e soluções adequados a cada projeto. Parte dos produtos criados para essas encomendas acaba incorporada ao catálogo regular.
O movimento muda a conversa comercial. Em vez de comparar apenas o preço de uma camiseta, o comprador pode avaliar se a peça atende à rotina da equipe, à apresentação da marca ou ao uso em um evento. Isso não elimina a disputa por preço, mas acrescenta critérios à decisão.
Para uma operação menor, a aplicação possível é começar por uma dificuldade recorrente dos clientes. Um pedido especial pode revelar demanda para uma nova oferta. Antes de transformá-lo em linha permanente, porém, é preciso verificar se outras pessoas também comprariam e quanto custaria repetir a produção.
Parcerias com restaurantes aproximam a marca de novos clientes
Uma das frentes descritas é a criação de coleções com bares e restaurantes cariocas. As estampas procuram traduzir a identidade dos estabelecimentos, e a divulgação inclui conteúdo sobre esses parceiros nas redes sociais.
Segundo o executivo, o número de clientes desse segmento cresceu 550% em seis meses. O percentual é uma declaração da empresa: a entrevista não informa a base inicial nem permite atribuir todo o crescimento às parcerias.
A leitura prática é observar como produto e relacionamento comercial podem se complementar. Conhecer um setor ajuda a compreender suas encomendas e suas dificuldades. Isso pode orientar uma oferta mais específica, desde que o trabalho adicional de criação e atendimento também entre no orçamento.
Personalização precisa caber na produção e no preço
A Dimona começou a confeccionar suas próprias camisetas em 2018, conforme o relato à EXAME. A decisão faz parte da verticalização: assumir etapas que poderiam ficar com fornecedores, buscando mais controle sobre o produto e a entrega.
Essa estrutura exige capital, equipamentos, equipe e organização. Entender melhor o cliente não exige começar comprando uma fábrica. Um pequeno negócio pode primeiro avaliar o que consegue produzir, o que precisaria contratar e quais limites deve estabelecer para aceitar uma encomenda.
Como exemplo hipotético, uma personalização pode exigir horas para ajustar a arte, aprovar uma amostra e separar tamanhos. Se o orçamento considerar apenas a peça e a impressão, parte do serviço ficará sem remuneração.
Ao avaliar um equipamento para atender esses pedidos, também é necessário conferir se a demanda sustenta o compromisso. O Firma explica esse cuidado no artigo sobre como verificar se uma parcela cabe no negócio.
Brasil e Estados Unidos usam estruturas diferentes
No Brasil, a Dimona fabrica camisetas e atende consumidores e empresas por diferentes canais. Nos Estados Unidos, segundo a entrevista, compra as peças de fornecedores locais, recebe pedidos de lojas virtuais integradas e realiza a impressão e o envio ao consumidor.
É produção sob demanda: a personalização acontece conforme os pedidos chegam. A estrutura americana descrita depende da disponibilidade de fornecedores, integração tecnológica e logística. Portanto, não permite concluir que qualquer empreendedor brasileiro conseguirá reproduzir os mesmos prazos ou operar sem estoque.
A empresa também estuda uma rede de produção e distribuição em outros países das Américas. Essa expansão é um plano em avaliação, não uma operação continental já implantada.
Uma oferta específica pode ser o primeiro teste
O caso mostra decisões de uma empresa com décadas de atividade. Para quem tem menos recursos, o próximo passo pode ser escolher um público próximo, ouvir suas dificuldades e definir uma adaptação pequena, com prazo e preço claros.
O roteiro do Firma para testar uma ideia de serviço ajuda a organizar essa investigação. Na personalização, uma encomenda inicial pode mostrar tanto o interesse do cliente quanto o trabalho necessário para atendê-lo.
A diferença precisa ser útil para quem compra e viável para quem entrega. Essa é a pergunta que o exemplo da Dimona permite levar para um negócio menor, sem confundir a trajetória de uma companhia com garantia de resultado.

Sebastião Neto é administrador pela UFMG, com MBA Executivo em Mercado de Capitais pelo IBMEC e especialização em M&A pelo Insper. Tem experiência em finanças, estratégia, gestão comercial, desenvolvimento de negócios e fusões e aquisições. No Firma Feed, contribui para traduzir temas de carreira, dinheiro e negócios em informações mais claras e úteis para decisões do dia a dia.



