A expansão das lavanderias de autoatendimento pode trazer dificuldades para parte dos investidores, avalia Fábio Roth, CEO da 5àsec Brasil. Em entrevista publicada pelo C-Level, da Folha, nesta quinta-feira (22), o executivo apontou risco de bolha diante do avanço de novas marcas, embora também veja espaço para crescimento.
Para quem pensa em colocar suas economias nesse modelo, o alerta pede uma investigação concreta: há clientes suficientes naquele endereço para pagar a operação? Uma lavanderia pode automatizar o atendimento e continuar exigindo dinheiro, acompanhamento e decisões do proprietário.
A avaliação também precisa ser lida considerando quem a faz. O grupo de Roth participa desse mercado com a LavPop. Portanto, sua fala reúne experiência no setor e interesse comercial. O risco de bolha é uma opinião do entrevistado, não uma quebra comprovada do segmento.
Ler resumo +
- O fato: em entrevista publicada em 22 de outubro, o CEO da 5àsec alertou para dificuldades na expansão das lavanderias de autoatendimento.
- O contraponto: ele também identifica oportunidades, e seu grupo atua no segmento com a LavPop.
- A decisão: avaliar demanda local, concorrência, custos, manutenção e suporte antes de investir.
- O limite: crescimento de uma rede ou projeção de retorno não garante o resultado de uma unidade.
O alerta vem de um grupo que também aposta no modelo
Roth relaciona a preocupação à multiplicação de marcas e destaca localização e assessoria como fatores importantes para a continuidade das operações. Ao mesmo tempo, vê oportunidades em regiões com prédios residenciais e menos espaço doméstico para lavar e secar roupas.
O site institucional da LavPop confirma sua ligação com a 5àsec e descreve o autosserviço: o cliente escolhe o serviço, paga no totem e utiliza a máquina. Parte do trabalho passa para o consumidor e para os equipamentos.
Isso ajuda a entender o apelo do formato, mas não demonstra que qualquer loja será rentável. A entrevista não apresenta um estudo independente capaz de comprovar uma bolha nacional. Também não permite concluir quantas unidades terão dificuldades ou em quais cidades isso ocorrerá.
O endereço precisa ter clientes, além de espaço para máquinas
O guia do Sebrae-SP recomenda investigar o tamanho do mercado da região, as necessidades dos consumidores, os concorrentes e as condições do imóvel. É uma referência de planejamento anterior à notícia atual, útil para organizar perguntas, sem servir como retrato atualizado do setor.
Na prática, visitar o bairro em horários diferentes ajuda a observar acesso, visibilidade e movimento. Conversar com moradores permite descobrir como lavam roupas hoje, quanto se deslocariam e o que os faria experimentar outra solução.
Também vale mapear lavanderias próximas, preços, horários e serviços oferecidos. Um bairro cheio de apartamentos pode parecer promissor, mas essa característica, sozinha, não informa quantos moradores pagarão pelo serviço. Interesse, uso eventual e frequência suficiente para sustentar a loja são coisas diferentes.
A mesma preocupação com evidências aparece no roteiro do Firma para testar uma ideia de serviço. Para uma lavanderia, que exige estrutura física, a investigação precisa acontecer antes de comprometer o dinheiro com máquinas e imóvel.
A operação continua tendo despesas depois da inauguração
A conta precisa separar o investimento para abrir das despesas para continuar funcionando. Equipamentos e adequações do espaço entram na implantação. Água, energia, produtos de lavagem, limpeza, manutenção, aluguel e taxas aplicáveis precisam ser considerados na rotina.
A própria LAVEONE, outra rede do segmento, descreve esses gastos e reconhece que o modelo exige gestão ativa. É uma fonte empresarial, que também comercializa franquias; suas projeções não devem ser tomadas como garantia.
Para avaliar uma proposta, peça o consumo estimado por ciclo, as tarifas usadas no cálculo e os gastos que ficaram de fora. Confira se a projeção inclui a retirada do proprietário, tributos e eventual financiamento. Um resultado apresentado antes dessas despesas pode transmitir uma impressão melhor do que o dinheiro efetivamente disponível.
Manutenção e suporte precisam ter responsáveis definidos
Antes de assinar, esclareça quem limpa o espaço, repõe produtos, atende um pagamento com falha e resolve problemas durante o uso. Pergunte também quem presta assistência técnica, quais peças estão disponíveis e como funcionam os custos e prazos do atendimento.
Como hipótese de planejamento, considere uma máquina parada ou um período de movimento abaixo do esperado. O aluguel e outros compromissos podem continuar vencendo. Essa simulação ajuda a verificar quanto tempo a reserva do negócio sustentaria a operação.
Se houver empréstimo, inclua as parcelas nesse cenário. O artigo do Firma sobre como avaliar se uma dívida cabe no negócio explica por que a aprovação do crédito não substitui a análise do caixa.
O próximo passo é conferir as premissas da proposta
Uma apresentação comercial pode mostrar uma loja eficiente e um prazo atraente para recuperar o investimento. Para avaliar essa promessa, pergunte quantos ciclos pagos são necessários, qual preço foi considerado e como o resultado muda com menos clientes ou despesas maiores.
Converse com operadores de unidades comparáveis e peça informações sobre a rotina, inclusive dificuldades. O alerta de Roth não decide se vale investir. Ele reforça a necessidade de descobrir se a proposta continua fazendo sentido quando sai da apresentação e encontra o aluguel, a concorrência e os clientes daquele endereço.

Sebastião Neto é administrador pela UFMG, com MBA Executivo em Mercado de Capitais pelo IBMEC e especialização em M&A pelo Insper. Tem experiência em finanças, estratégia, gestão comercial, desenvolvimento de negócios e fusões e aquisições. No Firma Feed, contribui para traduzir temas de carreira, dinheiro e negócios em informações mais claras e úteis para decisões do dia a dia.



